{"id":2584,"date":"2020-09-07T14:23:37","date_gmt":"2020-09-07T13:23:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/?p=2584"},"modified":"2021-05-20T13:12:48","modified_gmt":"2021-05-20T12:12:48","slug":"independencia-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/independencia-do-brasil\/","title":{"rendered":"Independ\u00eancia do Brasil &#8211; Quem foi a mulher que arquitetou?"},"content":{"rendered":"<p lang=\"pt\" style=\"text-align: justify;\">A <strong>independ\u00eancia do Brasil<\/strong> em rela\u00e7\u00e3o a Portugal foi firmada, em 1822, e como o momento hist\u00f3rico ocorreu durante a reg\u00eancia da imperatriz Maria Leopoldina, ela se tornou a primeira mulher a governar o Brasil, ocupando o cargo interinamente por alguns dias.<\/p>\n<p><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js\"><\/script><br \/>\n<!-- Primeiro ADS do Post DNA --><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\"\n     style=\"display:block\"\n     data-ad-client=\"ca-pub-1922613010643379\"\n     data-ad-slot=\"3154231394\"\n     data-ad-format=\"auto\"\n     data-full-width-responsive=\"true\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/p>\n<h1 id=\"firstHeading\" class=\"firstHeading\" lang=\"pt\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Maria Leopoldina de \u00c1ustria (<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Maria_Leopoldina_de_%C3%81ustria\">Imperatriz Leopoldina<\/a>).<\/span><\/h1>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>Carolina Josefa Leopoldina de Habsburgo-Lorena<\/strong>,Viena,\u00a022 de janeiro\u00a0de\u00a01797 \u2014\u00a0Rio de Janeiro,\u00a011 de dezembro\u00a0de\u00a01826) foi\u00a0arquiduquesa\u00a0da \u00c1ustria, <strong>a primeira esposa do imperador\u00a0D. Pedro I<\/strong>\u00a0e\u00a0Imperatriz Consorte\u00a0do\u00a0Imp\u00e9rio do Brasil\u00a0de 1822 at\u00e9 sua morte, tamb\u00e9m brevemente sendo\u00a0Rainha Consorte\u00a0do\u00a0Reino de Portugal e Algarves\u00a0entre mar\u00e7o e maio de 1826. Era filha do imperador\u00a0Francisco I da \u00c1ustria\u00a0e de sua segunda esposa\u00a0Maria Teresa das Duas Sic\u00edlias. Tamb\u00e9m foi cunhada do imperador\u00a0Napole\u00e3o Bonaparte, casado com sua irm\u00e3 mais velha,\u00a0Maria Lu\u00edsa. Seu casamento com\u00a0Pedro I\u00a0e sequente independ\u00eancia do Brasil fizeram com que se tornasse a primeira imperatriz consorte do pa\u00eds e a primeira imperatriz do\u00a0Novo Mundo.<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-2586 size-full\" src=\"https:\/\/dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/imperatriz_rainha_d._leopoldina.jpg\" alt=\"\" width=\"646\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/imperatriz_rainha_d._leopoldina.jpg 646w, https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/imperatriz_rainha_d._leopoldina-252x300.jpg 252w\" sizes=\"auto, (max-width: 646px) 100vw, 646px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>SUA IMPORT\u00c2NCIA PARA O BRASIL<\/strong><\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escritores discutem import\u00e2ncia pol\u00edtica da imperatriz Maria Leopoldina, que ocupou poder por pouco tempo, mas durante independ\u00eancia do pa\u00eds, per\u00edodo em que teve papel crucial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A independ\u00eancia do Brasil em rela\u00e7\u00e3o a Portugal foi firmada, em 1822, e como o momento hist\u00f3rico ocorreu durante a reg\u00eancia da imperatriz Maria Leopoldina, ela se tornou a primeira mulher a governar o Brasil, ocupando o cargo interinamente por alguns dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carolina Josefa Leopoldina de Habsburgo-Lorena<\/strong> nasceu em Viena, na \u00c1ustria, em 22 de janeiro de 1797, e integrava uma das fam\u00edlias mais poderosas da Europa no s\u00e9culo 18, os <strong>Habsburgo<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Terceira filha de Francisco 1\u00ba, Imperador da \u00c1ustria, a princesa embarcou ao Brasil h\u00e1 mais de 200 anos e mudou os rumos do nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos 20 anos, em maio de 1817, Leopoldina <strong>se casou \u00e0 dist\u00e2ncia<\/strong> e por procura\u00e7\u00e3o com um homem que nunca havia visto: o pr\u00edncipe portugu\u00eas Pedro de Bragan\u00e7a, futuro <strong>Dom Pedro 1\u00ba (Dom Pedro IV em Portugal)<\/strong>, como forma de firmar uma alian\u00e7a diplom\u00e1tica entre Portugal e \u00c1ustria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para consumar a uni\u00e3o, Leopoldina embarcou em uma viagem de navio de <strong>seis meses de dura\u00e7\u00e3o<\/strong>, rumo a um continente que o mundo pouco conhecia, a Am\u00e9rica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na tripula\u00e7\u00e3o, <strong>trouxe pintores, cientistas e bot\u00e2nicos europeus<\/strong>, conhecida como Miss\u00e3o Cient\u00edfica Austr\u00edaca, para <strong>catalogarem a fauna e flora brasileiras<\/strong>.<\/p>\n<p><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js\"><\/script><br \/>\n<!-- Primeiro ADS do Post DNA --><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\"\n     style=\"display:block\"\n     data-ad-client=\"ca-pub-1922613010643379\"\n     data-ad-slot=\"3154231394\"\n     data-ad-format=\"auto\"\n     data-full-width-responsive=\"true\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/p>\n<blockquote><p><em><strong>&#8220;Leopoldina foi muito bem preparada para governar e aceitou de bom grado cruzar o oceano e deixar para tr\u00e1s tudo o que conhecia para obedecer e agradar ao pai e a sua na\u00e7\u00e3o, cumprindo o papel que era esperado dela como princesa&#8221;<\/strong><\/em>, afirma a professora Maria Celi Chaves Vasconcelos, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o da UERJ e especialista em educa\u00e7\u00e3o de mulheres nobres.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1822, durante uma viagem do marido a S\u00e3o Paulo, Leopoldina permaneceu no pal\u00e1cio imperial e ocupou o cargo de regente do pa\u00eds, <strong>per\u00edodo que inclui a assinatura da independ\u00eancia brasileira, em 2 de setembro<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Somente cinco dias depois Dom Pedro 1\u00ba foi informado sobre a not\u00edcia da independ\u00eancia, dando o famoso grito \u00e0s margens do rio Ipiranga<\/strong>, sendo essa segunda data a que entrou para os livros de hist\u00f3ria como o <span style=\"text-decoration: underline;\">Dia da Independ\u00eancia: 7 de setembro de 1822<\/span>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;<strong>O per\u00edodo em que a princesa exerceu o poder foi pequeno, mas fundamental para o Brasil. Al\u00e9m disso, ela foi a primeira mulher a exercer o governo<\/strong>&#8220;, explica a professora de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria Social da USP Cecilia Helena L. de Salles Oliveira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de ela ser retratada como uma mulher melanc\u00f3lica e humilhada com os esc\u00e2ndalos e rela\u00e7\u00f5es extraconjugais de Dom Pedro 1\u00ba, escritores t\u00eam reivindicado a Leopoldina uma imagem menos passiva na hist\u00f3ria nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;<em>As pesquisas das \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas apontam v\u00e1rias interpreta\u00e7\u00f5es novas sobre a hist\u00f3ria do Brasil. Tais descobertas apresentam quest\u00f5es diferentes e revelam situa\u00e7\u00f5es pouco ou nada conhecidas<\/em>&#8220;, explica Oliveira. Para o escritor Paulo Rezzutti, o modo como \u00e9 contada a hist\u00f3ria de Leopoldina demonstra como nosso passado tem sido narrado somente do ponto de vista masculino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Quando entra para a hist\u00f3ria, a figura da mulher o faz por causa de uma suposta &#8216;santidade&#8217; ou por causa de suas rela\u00e7\u00f5es familiares, dando a impress\u00e3o que somente homens fizeram parte de assuntos como a pol\u00edtica nacional&#8221;, afirma o escritor.<\/p>\n<blockquote><p><strong>&#8220;D. Leopoldina ajudou a escrever nossa hist\u00f3ria pol\u00edtica, mas \u00e9 comum explic\u00e1-la apenas como m\u00e3e de D. Pedro 2\u00ba e esposa de D. Pedro 1\u00ba&#8221;. <\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu \u00faltimo livro, D. Leopoldina: a hist\u00f3ria n\u00e3o contada &#8211;<strong> A mulher que arquitetou a independ\u00eancia do Brasil<\/strong>, Rezzutti busca documentos hist\u00f3ricos, como cartas escritas pela imperatriz para a fam\u00edlia na Europa, para apresentar uma Leopoldina menos melanc\u00f3lica e mais h\u00e1bil nos assuntos pol\u00edticos e diplom\u00e1ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;<strong>Em 1822, D. Leopoldina desrespeitou as ordens das cortes constitucionais portuguesas e declarou o &#8216;Fico&#8217; antes de D. Pedro, com uma vis\u00e3o muito mais astuta que o marido:<\/strong> a imperatriz tinha certeza que se sa\u00edssem do Brasil como os pol\u00edticos portugueses desejavam, n\u00e3o s\u00f3 Portugal perderia o dom\u00ednio do Brasil, como provavelmente haveria uma guerra civil aqui&#8221;, explica Rezzutti.<\/p>\n<p><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js\"><\/script><br \/>\n<!-- Primeiro ADS do Post DNA --><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\"\n     style=\"display:block\"\n     data-ad-client=\"ca-pub-1922613010643379\"\n     data-ad-slot=\"3154231394\"\n     data-ad-format=\"auto\"\n     data-full-width-responsive=\"true\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ex\u00edmia pol\u00edtica <\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A postura de Leopoldina ao se recusar a retornar a Portugal ainda divide opini\u00f5es. Enquanto para um grupo de escritores aquela foi uma atitude revolucion\u00e1ria, para outros a princesa foi apenas estrategista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Vasconcelos, n\u00e3o existe o menor tra\u00e7o de rebeldia em qualquer escrito de ou sobre Leopoldina. &#8220;Seria revolucion\u00e1ria por ter influenciado D. Pedro na Proclama\u00e7\u00e3o da Independ\u00eancia? N\u00e3o creio que haja a\u00ed nenhum tra\u00e7o revolucion\u00e1rio; acho que ela era, talvez, conhecedora o suficiente da hist\u00f3ria pol\u00edtica para fazer o julgamento correto sobre o momento vivido e o quanto ele era prop\u00edcio \u00e0 Independ\u00eancia&#8221;, defende a pesquisadora, se referindo ao fato de Leopoldina temer ir a Portugal em um momento de intensa movimenta\u00e7\u00e3o popular contra o rei D. Jo\u00e3o 6\u00ba, sogro da princesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, Leopoldina temia revolu\u00e7\u00f5es populares por crescer ouvindo o exemplo deixado pela tia-av\u00f3 Maria Antonieta, \u00faltima rainha da Fran\u00e7a, guilhotinada durante a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. O professor do departamento de Hist\u00f3ria da USP, Jo\u00e3o Paulo Garrido Pimenta, explica que todos os Habsburgo do s\u00e9culo 19 foram criados para governar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Leopoldina foi educada na \u00c1ustria de maneira exemplar e comum \u00e0 \u00e9poca: <strong>para servir aos interesses p\u00fablicos de sua dinastia &#8211; os Habsburgo &#8211; e de seu Estado &#8211; o Imp\u00e9rio Austr\u00edaco<\/strong>&#8220;, explica Pimenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi servindo os interesses da dinastia Habsburgo que a irm\u00e3 mais velha de Leopoldina, a arquiduquesa Maria Lu\u00edza, se casou com o maior inimigo da fam\u00edlia, Napole\u00e3o Bonaparte, como estrat\u00e9gia para deter o avan\u00e7o do franc\u00eas sobre a Europa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria Lu\u00edza era uma inspira\u00e7\u00e3o para Leopoldina. <strong>&#8220;Napole\u00e3o era chamado de &#8216;o flagelo da Europa&#8217;<\/strong>. Ele derrubou diversas monarquias, inclusive de parentes da realeza austr\u00edaca. Os pr\u00f3prios Habsburgos tiveram que fugir duas vezes de Viena durante guerras entre a \u00c1ustria e a Fran\u00e7a de Napole\u00e3o. Por isso, Leopoldina e seus irm\u00e3os tinham um boneco apelidado de Napole\u00e3o, em que eles batiam&#8221;, conta Rezzutti.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fazia parte da forma\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia o aprendizado de l\u00ednguas &#8211; Leopoldina falava 11 idiomas &#8211; a forma\u00e7\u00e3o intelectual em diversas \u00e1reas do saber, al\u00e9m de aulas de teatro que tinham a finalidade de ensinar os Habsburgos a desempenhar o papel de monarcas diante do povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferentemente de D. Pedro, Leopoldina sabia dialogar com o povo brasileiro, mesmo sendo este t\u00e3o diferente das suas ra\u00edzes germ\u00e2nicas: <strong>a princesa incluiu o nome de Maria, passando a ser conhecida como Dona Leopoldina ou Maria Leopoldina como forma de estabelecer rela\u00e7\u00f5es com a cultura nacional.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Independentemente dos motivos que fizeram Leopoldina permanecer no Brasil, para Rezzutti, a imperatriz deve ser interpretada como uma mulher revolucion\u00e1ria por ter sido a primeira a fazer pol\u00edtica na alta esfera de decis\u00f5es brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Al\u00e9m de chefiar o conselho de Estado que aconselhou D. Pedro 1\u00ba a proclamar a independ\u00eancia, tamb\u00e9m tomou diversas resolu\u00e7\u00f5es importantes, como a contrata\u00e7\u00e3o de militares estrangeiros para chefiar o Ex\u00e9rcito brasileiro contra os militares portugueses e contra uma futura invas\u00e3o de Portugal durante a Guerra da Independ\u00eancia&#8221;, defende o escritor.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Datada (antiquada) ou moderna?<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de reconhecer as habilidades diplom\u00e1ticas e pol\u00edticas de Leopoldina no cen\u00e1rio brasileiro, Vasconcelos defende que a imperatriz n\u00e3o foi uma mulher moderna para os padr\u00f5es europeus do s\u00e9culo 19. &#8220;Como uma arquiduquesa, Leopoldina foi educada com os mais r\u00edgidos padr\u00f5es de etiqueta, conduta, pensamento moral e religioso, dos quais jamais se afastou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi educada para ser como foi, uma imperatriz consorte, que deveria obedecer ao marido em tudo e por tudo, aceitando, inclusive, sua infidelidade, grosseria e caprichos&#8221;, aponta a pesquisadora, destacando a submiss\u00e3o da austr\u00edaca a D. Pedro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 sabido que parte desse comportamento decorria de sua paix\u00e3o pelo marido, mas, por outro, era um tra\u00e7o da educa\u00e7\u00e3o das arquiduquesas, principalmente depois do fim tr\u00e1gico de Maria Antonieta em decorr\u00eancia de suas extravag\u00e2ncias&#8221;, complementa Vasconcelos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A amante mais famosa de D. Pedro foi a Marquesa de Santos, que teve uma filha com o Imperador e entregou a crian\u00e7a para crescer no pal\u00e1cio, junto com Leopoldina, e para ter influ\u00eancia no pa\u00e7o imperial. Pouco antes de morrer, Leopoldina era proibida de circular por determinados lugares dentro do pr\u00f3prio pal\u00e1cio para n\u00e3o encontrar a Marquesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo n\u00e3o se opondo ao marido, a Imperatriz fazia desabafos em cartas enviadas ao pai, tia e irm\u00e3, contando as humilha\u00e7\u00f5es que sofria com D. Pedro 1\u00ba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o conhecidas cerca de mil cartas escritas pela austr\u00edaca, guardadas no Museu Hist\u00f3rico Nacional do Rio de Janeiro. Rezzutti conta que em uma das \u00faltimas que escreveu \u00e0 fam\u00edlia, Leopoldina chegou a afirmar que essas humilha\u00e7\u00f5es a levariam a morte. Por essas cartas, Leopoldina \u00e9 comumente retratada como uma mulher melanc\u00f3lica e triste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;At\u00e9 no seu leito de morte foi necess\u00e1rio que afastassem a amante do marido, a Marquesa de Santos, para que Leopoldina pudesse, pelo menos, morrer em paz&#8221;, completa Vasconcelos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pautas sociais, como direitos e emancipa\u00e7\u00e3o das minorias, a imperatriz foi conhecida por fazer muita caridade aos necessitados, mesmo que isso gerasse d\u00edvidas enormes ao Imp\u00e9rio, e por ser querida pelo povo.<\/p>\n<blockquote><p><strong>&#8220;Leopoldina sabia falar sobre qualquer assunto, em qualquer l\u00edngua mais usual e dominava ci\u00eancias da natureza t\u00e3o em voga naquele momento hist\u00f3rico. Tamb\u00e9m \u00e9 sabido que era contra a escravid\u00e3o&#8221;<\/strong>, afirma Vasconcelos.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Mas o restante, o quanto ela pensava ou acreditava em termos de emancipa\u00e7\u00e3o da mulher, por exemplo, jamais saberemos&#8221;. Para Pimenta, um dos pontos positivos de Leopoldina era que, diferentemente do marido, <strong>ela acreditava que ser princesa e imperatriz era uma fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica a servi\u00e7o da na\u00e7\u00e3o e n\u00e3o somente um status social.<\/strong> &#8220;Mesmo antes de conhecer o Brasil e seu futuro esposo, Leopoldina preocupava-se com o bom exerc\u00edcio de sua fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica como princesa que, por meio de seu casamento com D. Pedro 1\u00ba, serviria para aproximar diplomaticamente \u00c1ustria e Portugal&#8221;, explica o historiador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Legado Durante a vida, Leopoldina procurou formas de acabar com o trabalho escravo. <strong>Em uma tentativa de mudar o tipo de m\u00e3o de obra no Brasil, a imperatriz incentivou a imigra\u00e7\u00e3o europeia para o pa\u00eds. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro vieram os su\u00ed\u00e7os, se fixando no Rio de Janeiro e fundando a cidade de Nova Friburgo. Depois, a fim de povoar o sul brasileiro, a imperatriz incentivou a vinda dos alem\u00e3es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dona Leopoldina tamb\u00e9m contribuiu para a forma\u00e7\u00e3o da cultura e da educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brasileira. Al\u00e9m da Miss\u00e3o Cient\u00edfica Austr\u00edaca que trouxe consigo em 1817, tamb\u00e9m trouxe para o Brasil sua biblioteca particular, dando in\u00edcio a uma biblioteca nas salas do Pal\u00e1cio em que viveu com D. Pedro 1\u00ba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imperatriz tamb\u00e9m ca\u00e7ava pequenos mam\u00edferos e coletava minerais, ajudando e incentivando estudos sobre a Hist\u00f3ria Natural do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00c1ustria, os estudos, retratos e coletas feitos pela Miss\u00e3o Cient\u00edfica fundou no pa\u00eds de origem da imperatriz o Museu Brasileiro, despertando interesse dos europeus em conhecer as belezas naturais do &#8220;Novo Mundo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro legado de Leopoldina \u00e9 a <strong>bandeira nacional<\/strong>. Embora a hist\u00f3ria conhecida seja a de que o amarelo representa o ouro e o verde, as florestas brasileiras, as cores do maior s\u00edmbolo nacional representam as duas Casas que deram origem ao Brasil independente: <strong>o verde representa a Casa de Bragan\u00e7a, de D. Pedro 1\u00ba, e o amarelo representa a Casa de Habsburgo, de Leopoldina.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de dar nome a ruas, bairros e at\u00e9 escola de samba no Rio de Janeiro, Dona Leopoldina viveu apenas nove anos no Brasil por causa de sua morte prematura, aos 29 anos, no dia 11 de dezembro de 1826. Estava gr\u00e1vida, tendo abortado o filho no leito de morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A causa da morte da imperatriz at\u00e9 hoje causa diverg\u00eancias. As vers\u00f5es mais conhecidas dizem que Leopoldina, gr\u00e1vida, teria sofrido viol\u00eancia f\u00edsica por D. Pedro 1\u00ba, enquanto que outra vers\u00e3o aponta uma septicemia puerperal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Em uma carta de Leopoldina para a irm\u00e3, escrita na vinda para o Brasil, a princesa diz n\u00e3o esperar fazer nada t\u00e3o especial e importante pela \u00c1ustria quanto fez Maria Lu\u00edsa ao casar-se com Napole\u00e3o. Mas defendo que Leopoldina fez muito mais que a irm\u00e3, pois ela ajudou a criar um <strong>Brasil independente<\/strong>&#8220;, defende Rezzutti.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 8pt;\"><em><a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/ultimas-noticias\/bbc\/2020\/09\/07\/dia-da-independencia-do-brasil-a-mulher-que-assinou-separacao-de-portugal-e-foi-a-primeira-a-governar-o-pais.htm\">Fonte:<\/a> La\u00eds Modelli &#8211; De S\u00e3o Paulo para a BBC News Brasil<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A independ\u00eancia do Brasil em rela\u00e7\u00e3o a Portugal foi firmada, em 1822, e como o momento hist\u00f3rico ocorreu durante a reg\u00eancia da imperatriz Maria Leopoldina, ela se tornou a primeira mulher a governar o Brasil, ocupando o cargo interinamente por alguns dias. Maria Leopoldina de \u00c1ustria (Imperatriz Leopoldina). Carolina Josefa Leopoldina de Habsburgo-Lorena,Viena,\u00a022 de janeiro\u00a0de\u00a01797 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2585,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[119,323],"tags":[326,324,325],"class_list":["post-2584","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-de-portugal","category-historia-do-brasil","tag-imperatriz-leopoldina","tag-independencia-do-brasil","tag-maria-leopoldina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2584","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2584"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2584\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2766,"href":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2584\/revisions\/2766"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2585"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2584"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2584"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2584"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}