{"id":1411,"date":"2019-06-27T13:02:52","date_gmt":"2019-06-27T12:02:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/?p=1411"},"modified":"2019-06-27T19:58:22","modified_gmt":"2019-06-27T18:58:22","slug":"ines-de-castro-e-de-dom-pedro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/ines-de-castro-e-de-dom-pedro\/","title":{"rendered":"A Hist\u00f3ria de Romeu e Julieta de Portugal"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1561661897376{margin-bottom: 0px !important;}&#8221;]<\/p>\n<h1><span style=\"font-size: 12pt;\">In\u00eas de Castro &#8211; a hist\u00f3ria de Romeu e Julieta de Portugal.<\/span><\/h1>\n<h2><span style=\"font-size: 12pt;\">Quem foi IN\u00caS DE CASTRO?<\/span><\/h2>\n<p>Bom, acredito que j\u00e1 tenha ouvido falar nesse termo na sua fam\u00edlia no Brasil: <strong>IN\u00caS \u00c9 MORTA!<\/strong> Sim, a maioria dos brasileiros j\u00e1 ouviram e nunca se perguntou o porqu\u00ea In\u00eas, e n\u00e3o Maria, Joana, Rita, etc&#8230; Mas sempre soubemos o significado, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 18pt;\">&#8220;<em>In\u00eas \u00e9 morta<\/em>&#8221; <\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u00c9 uma express\u00e3o da l\u00edngua portuguesa e significa &#8220;<strong>n\u00e3o adianta mais<\/strong>&#8220;. Hoje em dia a frase \u00e9 usada para expressar a inutilidade de certas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Muitas vezes esta express\u00e3o completa \u00e9 &#8220;<strong><em>Agora \u00e9 tarde, In\u00eas \u00e9 morta<\/em><\/strong>&#8220;, o que indica que \u00e9 tarde demais para tomar alguma atitude a respeito de algo.<\/p>\n<h2><span style=\"font-size: 12pt;\">A hist\u00f3ria segundo &#8211; Os Lus\u00edadas<\/span><\/h2>\n<p><strong>In\u00eas de Castro<\/strong>\u00a0\u00e9 um epis\u00f3dio l\u00edrico-amoroso que simboliza a for\u00e7a e a veem\u00eancia do amor em Portugal. O epis\u00f3dio ocupa as est\u00e2ncias 118 a 135 do Canto III de\u00a0Os Lus\u00edadas\u00a0e relata o assassinato de In\u00eas de Castro, em 1355, pelos ministros do rei D. Afonso IV de Borgonha, pai de D. Pedro, seu amante.<\/p>\n<p>\u00c9 narrado, em sua maior parte, por Vasco da Gama, que conta a hist\u00f3ria de Portugal ao rei de Melinde. Considerado um dos mais belos momentos do poema, \u00e9 a um s\u00f3 tempo um epis\u00f3dio hist\u00f3rico e l\u00edrico: por tr\u00e1s da voz do narrador, e da pr\u00f3pria In\u00eas, percebe-se a voz e a express\u00e3o pessoal do poeta. Cam\u00f5es, atrav\u00e9s da fala de Vasco da Gama, destaca do epis\u00f3dio sua carga rom\u00e2ntica e dram\u00e1tica, deixando em segundo plano as quest\u00f5es pol\u00edticas que o marcam.<\/p>\n<p>Fern\u00e3o Lopes, Garcia de Resende e Ant\u00f4nio Ferreira j\u00e1 haviam explorado, em prosa, em verso e no teatro, respectivamente, a figura hist\u00f3rica de In\u00eas Pires de Castro:<\/p>\n<p>Dom Pedro, Pr\u00edncipe de Portugal, filho do Rei Afonso IV, era casado com D. Constan\u00e7a, mas se apaixonara por In\u00eas de Castro, dama de companhia de D. Constan\u00e7a e filha ileg\u00edtima de um nobre portugu\u00eas.\u00a0Com a morte de D. Constan\u00e7a, In\u00eas foi morar em Coimbra \u00e0s margens do Rio Mondego e D. Pedro, futuro Rei de Portugal, vi\u00favo, queria selar seu amor com In\u00eas fazendo dela sua rainha.<\/p>\n<p>O Rei Afonso IV temendo pela sucess\u00e3o do trono que seria seu neto, filho de Constan\u00e7a e pela influ\u00eancia dos nobres que temiam uma influ\u00eancia castelhana, tenta resgatar o filho e conduzi-lo a um casamento que obedecesse n\u00e3o aos caprichos de cupido, mas \u00e0s conveni\u00eancias pol\u00edticas de Portugal. Para isso, vendo como \u00fanica sa\u00edda, o Rei manda vir In\u00eas para que seja executada.\u00a0Os terr\u00edveis verdugos trouxeram In\u00eas e seus filhos perante o Rei. Depois de ouvir a senten\u00e7a, In\u00eas ergueu os olhos aos c\u00e9us e disse:<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;<em>At\u00e9 mesmo as feras, cru\u00e9is de nascen\u00e7a, e as aves de rapina j\u00e1 demonstraram piedade com as crian\u00e7as pequenas. O senhor, que tem o rosto e o cora\u00e7\u00e3o humanos, deveria ao menos compadecer-se destas criancinhas, seus netos, j\u00e1 que n\u00e3o se comove com a morte de uma mulher fraca e sem for\u00e7a, condenada somente por ter entregue o cora\u00e7\u00e3o a quem soube conquist\u00e1-lo. E se o senhor sabe espalhar a morte com fogo e ferro, vencendo a resist\u00eancia dos mouros, deve saber tamb\u00e9m dar a vida, com clem\u00eancia, a quem nenhum crime cometeu para perd\u00ea-la. Mas se devo ser punida, mesmo inocente, mande-me para o ex\u00edlio perp\u00e9tuo e m\u00edsero na gelada C\u00edtia ou na ardente L\u00edbia onde eu viva eternamente em l\u00e1grimas. Ponha-me entre os le\u00f5es e tigres, onde s\u00f3 exista crueldade. E verei se neles posso achar a piedade que n\u00e3o achei entre cora\u00e7\u00f5es humanos. E l\u00e1, com o amor e o pensamento naquele por quem fui condenada a morrer, criarei os seus filhos, que o senhor acaba de ver, e que ser\u00e3o o consolo de sua triste m\u00e3e.&#8221;<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Comovido com essas palavras, o Rei j\u00e1 pensava em absolver In\u00eas, quando os verdugos, que defendiam a execu\u00e7\u00e3o, sacaram de suas espadas e degolaram In\u00eas.<\/p>\n<p>Isso aconteceu em 1355 e diz a lenda que D. Pedro, inconformado, mandou vestir a noiva com roupas nupciais, sentou o cad\u00e1ver no trono e fez os nobres lhe beijarem a m\u00e3o, da\u00ed falar-se que &#8220;a infeliz foi rainha depois de morta&#8221;.<\/p>\n<p>Na verdade, D. Pedro manda transladar o corpo de In\u00eas do mosteiro com pompas de rainha para o mosteiro de Alcoba\u00e7a em 1361, quando j\u00e1 era rei.<\/p>\n<h2><span style=\"font-size: 12pt;\">Qual a Origem? Voc\u00ea sabe? Quem foi de fato In\u00eas de Castro?<\/span><\/h2>\n<p>Dona In\u00eas de Castro, fidalga galega de reconhecida e requintada formosura, chega a Portugal em 1340 integrada na corte de D. Const\u00e2ncia de Castela.<\/p>\n<p><strong>In\u00eas de Castro<\/strong> nasceu na Galiza entre os anos de 1320\/1325\u00a0e morreu em\u00a0Coimbra no dia 7 de janeiro\u00a0de\u00a01355, foi a rainha p\u00f3stuma de\u00a0Portugal, amada pelo futuro rei\u00a0D. Pedro I de Portugal, de quem teve quatro filhos. <strong>Foi executada por ordem do pai deste, o rei D.\u00a0Afonso IV.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>In\u00eas de Castro<\/em><\/p>\n<h2><span style=\"font-size: 12pt;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1412\" src=\"https:\/\/dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/dona-ines-de-castro.jpg\" alt=\"Ines de Castro\" width=\"220\" height=\"269\" \/><\/span><\/h2>\n<h2><span style=\"font-size: 12pt;\">A Hist\u00f3ria da sua Vida!<\/span><\/h2>\n<p>D. In\u00eas de Castro era filha de D.\u00a0Pedro Fernandes de Castro, mordomo-mor do rei D.\u00a0Afonso XI de Castela, e de uma dama portuguesa, Aldon\u00e7a Louren\u00e7o de Valadares. O seu pai, neto por via ileg\u00edtima de D.\u00a0Sancho IV de Le\u00e3o e Castela, era um dos\u00a0fidalgos mais poderosos do\u00a0Reino de Castela.<\/p>\n<p>Em 24 de Agosto de 1339 teve lugar, na S\u00e9 de Lisboa, o casamento do Infante\u00a0Pedro I de Portugal, herdeiro do\u00a0trono portugu\u00eas, com D.\u00a0Constan\u00e7a Manuel, filha de D.\u00a0Jo\u00e3o Manuel de Castela,\u00a0pr\u00edncipe\u00a0de Vilhena e Escalona,\u00a0duque\u00a0de\u00a0Penafiel, tutor de\u00a0Afonso XI de Castela, e neto do rei\u00a0Fernando III de Castela.<\/p>\n<p>Todavia seria por uma das\u00a0aias\u00a0de D. Constan\u00e7a, D. In\u00eas de Castro, que D. Pedro viria a apaixonar-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>D. Pedro I e In\u00eas de Castro nos Campos do Mondego<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1413\" src=\"https:\/\/dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ines-e-pedro-300x158.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"210\" srcset=\"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ines-e-pedro-300x158.jpg 300w, https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ines-e-pedro.jpg 680w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p>Este romance not\u00f3rio come\u00e7ou a ser comentado e a ser mal aceite, pela\u00a0corte, que temia a influ\u00eancia castelhana sobre o infante Pedro, e pelo\u00a0povo.<\/p>\n<p>Como seu relacionamento era mal visto, passaram a encontrar-se \u00e0s escondidas na antiga Vila do Jarmelo na Guarda e depois nos Campos do rio Mondego.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1414 size-full\" src=\"https:\/\/dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/amor-de-dom-pedro-i-e-ines-de-castro.jpg\" alt=\"\" width=\"284\" height=\"177\" \/><\/p>\n<p>Sob o pretexto da\u00a0moralidade,\u00a0D. Afonso IV\u00a0n\u00e3o aprovava esta rela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 por motivos de\u00a0diplomacia\u00a0com Jo\u00e3o Manuel de Castela, mas tamb\u00e9m devido \u00e0 amizade estreita de D. Pedro com os irm\u00e3os de D. In\u00eas &#8211; D. Fernando de Castro e D. \u00c1lvaro Perez de Castro. Assim, em\u00a01344, o rei mandou exilar D. In\u00eas no\u00a0castelo\u00a0de\u00a0Albuquerque, na fronteira castelhana, onde tinha sido criada por sua tia, D. Teresa, mulher de um meio irm\u00e3o de D. Afonso IV.<\/p>\n<p>No entanto, a dist\u00e2ncia n\u00e3o teria apagado o amor entre Pedro e In\u00eas, que se correspondiam com frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>Em Outubro do ano seguinte D.\u00a0Constan\u00e7a\u00a0morreu ao dar \u00e0 luz o futuro rei, D.\u00a0Fernando I de Portugal. Vi\u00favo, D. Pedro, contra a vontade do pai, mandou D. In\u00eas regressar do ex\u00edlio e uniu-se a ela, provocando algum esc\u00e2ndalo na corte e desgosto para de seu pai. Come\u00e7ou ent\u00e3o uma desaven\u00e7a entre o rei e o\u00a0infante.<\/p>\n<p>D.\u00a0Afonso IV\u00a0tentou remediar a situa\u00e7\u00e3o tentando casar o seu filho com uma dama de sangue real. Mas D. Pedro rejeitou este projeto, alegando que sentia ainda muito a perda de sua mulher, D. Constan\u00e7a, e que n\u00e3o conseguia ainda pensar num novo\u00a0casamento.<\/p>\n<p>No entanto, D. In\u00eas foi tendo filhos de D. Pedro:\u00a0Afonso\u00a0em\u00a01346\u00a0(que morreu pouco depois de nascer),\u00a0Jo\u00e3o\u00a0em\u00a01349,\u00a0Dinis\u00a0em\u00a01354\u00a0e\u00a0Beatriz\u00a0em\u00a01347. O nascimento destes veio agudizar a situa\u00e7\u00e3o porque, durante o reinado de\u00a0D. Dinis, o seu filho e herdeiro D. Afonso IV sentira-se em <strong>risco de ser preterido na sucess\u00e3o ao trono por um dos filhos\u00a0bastardos do seu pai.<\/strong><\/p>\n<p>Agora circulavam\u00a0boatos\u00a0de que os <strong>Castros<\/strong> conspiravam para assassinar o\u00a0infante D. Fernando, leg\u00edtimo herdeiro de D. Pedro, para o trono portugu\u00eas passar para o filho mais velho de D. In\u00eas de Castro. N\u00e3o passavam de boatos plantados pelos fidalgos da corte portuguesa, vez que D. Fernando I assumiu o trono, como previamente esperado.<\/p>\n<p>Havia boatos de que o Pr\u00edncipe se tinha casado secretamente com D. In\u00eas, facto confirmado por D. Pedro I na famosa Declara\u00e7\u00e3o de Cantanhede. Na Fam\u00edlia Real um incidente deste tipo assumia graves implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<h2><span style=\"font-size: 12pt;\">Casamento secreto de Pedro e In\u00eas<\/span><\/h2>\n<p>Depois de alguns anos no\u00a0Norte de Portugal, Pedro e In\u00eas tinham regressado a\u00a0Coimbra\u00a0e instalaram-se no\u00a0Pa\u00e7o de Santa Clara. Mandado construir pela av\u00f3 de D. Pedro, a\u00a0Rainha Santa Isabel, foi neste pa\u00e7o que esta Rainha vivera os \u00faltimos anos, deixando expresso o desejo que se tornasse na habita\u00e7\u00e3o exclusiva de reis e pr\u00edncipes seus descendentes, com as suas esposas leg\u00edtimas.<\/p>\n<p>Afonso IV tentou por diversas vezes organizar um terceiro casamento para o seu filho, com princesa de sangue real, mas Pedro recusa tomar outra mulher que n\u00e3o In\u00eas.<\/p>\n<p>O rei D. Afonso IV rodeado dos seus conselheiros, P\u00earo Coelho, \u00c1lvaro Gon\u00e7alves e Diogo Lopes Pacheco, deslocaram-se ao Mosteiro de Santa Clara para assassinar D. In\u00eas.<\/p>\n<p>O \u00fanico filho leg\u00edtimo de Pedro, <strong>o futuro rei Fernando I de Portugal<\/strong>, mostrava-se uma crian\u00e7a fr\u00e1gil, enquanto que os bastardos de In\u00eas prometiam chegar \u00e0 idade adulta. A nobreza portuguesa come\u00e7ava a inquietar-se com a crescente influ\u00eancia castelhana sobre o futuro rei. Tudo levava a crer que a Coroa sofreria um golpe espanhol.<\/p>\n<p>Em 7 de Janeiro de 1355, D. Afonso cede \u00e0s press\u00f5es de seus conselheiros, e aproveitando a aus\u00eancia de D. Pedro numa excurs\u00e3o de ca\u00e7a, <strong>assina a senten\u00e7a de morte de D. In\u00eas.<\/strong><\/p>\n<p>P\u00earo Coelho, \u00c1lvaro Gon\u00e7alves e Diogo Lopes Pacheco dirigiram-se ao Mosteiro de Santa Clara em Coimbra, onde In\u00eas se encontrava e a justi\u00e7aram, <strong>degolando-a<\/strong>.<\/p>\n<p>Como reza a lenda, sua morte ter\u00e1 originado a cor avermelhada das \u00e1guas que correm nesse local da Quinta das L\u00e1grimas em Coimbra.<\/p>\n<h2><span style=\"font-size: 12pt;\">Quinta das L\u00e1grimas &#8211; Coimbra (Fonte dos Amores).<\/span><\/h2>\n<p>Apesar de o pr\u00edncipe ter coabitado com In\u00eas por v\u00e1rios anos no Pa\u00e7o de Santa Clara, a tradi\u00e7\u00e3o popular afirma que, para com ela comunicar, D. Pedro usava um cano que corria da Quinta das L\u00e1grimas at\u00e9 perto do convento das clarissas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1419\" src=\"https:\/\/dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/fonte-dos-amores-coimbra-300x296.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"493\" srcset=\"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/fonte-dos-amores-coimbra-300x296.jpg 300w, https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/fonte-dos-amores-coimbra.jpg 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p>Diz-se que colocava as cartas em barquinhos de madeira que, depois, a \u00e1gua proveniente dessa fonte, a Fonte dos Amores, se encarregava de transportar.<\/p>\n<p>Na Quinta das L\u00e1grimas existe tamb\u00e9m uma Fonte das L\u00e1grimas (<strong>Fonte dos Amores<\/strong>), cujas \u00e1guas ter\u00e3o, segundo a lenda, tido origem nas l\u00e1grimas vertidas por In\u00eas quando foi assassinada. O sangue do seu corpo ter\u00e1 deixado uma mancha de algas avermelhadas na rocha, vis\u00edvel ainda hoje.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1418\" src=\"https:\/\/dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/quintadaslgrimas-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/quintadaslgrimas-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/quintadaslgrimas.jpg 720w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>D. Pedro I revoltou-se contra o Rei, seu pai!<\/p>\n<p>Como \u00e9 \u00f3bvio, a morte de In\u00eas n\u00e3o trouxe Pedro para mais pr\u00f3ximo do pai, pelo contr\u00e1rio, o herdeiro revoltou-se contra Afonso IV, que responsabilizou pela morte, e mais uma vez pai e filho ficaram em campos opostos numa guerra civil. A Rainha Dona Brites interv\u00e9m e ap\u00f3s meses de escaramu\u00e7as, a paz \u00e9 selada em Agosto de 1355.<\/p>\n<h2><span style=\"font-size: 12pt;\">D. Pedro torna-se Rei de Portugal!<\/span><\/h2>\n<p><strong>Pedro tornou-se o oitavo rei de Portugal em 1357.<\/strong> Em Junho de 1360 faz a famosa declara\u00e7\u00e3o de Cantanhede, legitimando os filhos ao afirmar que se havia <strong>casado secretamente com In\u00eas<\/strong>, em 1354 &#8220;&#8230;em dia que n\u00e3o se lembrava&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p>A palavra do rei, do seu\u00a0capel\u00e3o\u00a0e de um seu criado foram as provas necess\u00e1rias para legalizar esse casamento.<\/p>\n<blockquote><p>Quando subiu ao trono D. Pedro I <strong>faz dela rainha.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<h2><span style=\"font-size: 12pt;\">Como In\u00eas de Castro se tornou rainha depois de morta?<\/span><\/h2>\n<p>Como explicado anteriormente, In\u00eas de Castro era uma aia da rainha, mas isso n\u00e3o impediu que \u2013 at\u00e9 ao dia do seu assassinato -tivesse uma longa rela\u00e7\u00e3o com o pr\u00edncipe D. Pedro.<\/p>\n<p>Seis anos ap\u00f3s o assassinato, ao subir ao trono D. Pedro conseguiu que outro Pedro, o Cruel, rei de Castela, lhe entregasse os homicidas, que para l\u00e1 fugiram, pois os dois monarcas tinham um pacto de devolver um ao outro os respectivos inimigos.<\/p>\n<p>Perseguiu os assassinos de D. In\u00eas, e mandou destruir a Vila do Jarmelo.\u00a0P\u00earo Coelho\u00a0e\u00a0\u00c1lvaro Gon\u00e7alves\u00a0foram apanhados e\u00a0executados\u00a0em Santar\u00e9m (<em><strong>segundo a lenda o Rei mandou arrancar o\u00a0cora\u00e7\u00e3o\u00a0de um pelo peito e o do outro pelas costas<\/strong><\/em>, assistindo \u00e0 execu\u00e7\u00e3o enquanto se banqueteava, o que \u00e9 confirmado por\u00a0Fern\u00e3o Lopes, com a ressalva de que o carrasco o teria dissuadido da ideia pela dificuldade encontrada nesta forma de execu\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dnacidadania.com.br\/antigo\/origem-do-sobrenome-lopes-em-portugal\/\">Diogo Lopes Pacheco<\/a>\u00a0conseguiu escapar para a\u00a0Fran\u00e7a\u00a0e, posteriormente, seria perdoado pelo Rei no seu leito de morte.<\/p>\n<p>Depois, D. Pedro mandou construir os dois espl\u00eandidos t\u00famulos de D. Pedro I e de D. In\u00eas de Castro no <strong>Mosteiro de Alcoba\u00e7a<\/strong>, para onde trasladou o corpo da sua amada In\u00eas, em 1361 ou 1362.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>T\u00famulo de In\u00eas de Castro<\/em><\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1423\" src=\"https:\/\/dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/tmulo_de_d._ines_de_castro.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"183\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>T\u00famulo de D. Pedro I<\/em><\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1424\" src=\"https:\/\/dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/tumulo_de_d._pedro_i.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"182\" \/><\/p>\n<p>O Rei faleceu e juntou-se a ela em 1367. A posi\u00e7\u00e3o primeira dos t\u00famulos foi lado a lado, de p\u00e9s virados a nascente, em frente da primeira capela do transepto sul, ent\u00e3o dedicada a S\u00e3o Bento.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 80 do s\u00e9culo dezoito, os t\u00famulos foram mudados para o rec\u00e9m constru\u00eddo pante\u00e3o real, onde foram colocados frente a frente. Em 1956 foram mudados para a sua actual posi\u00e7\u00e3o, D. Pedro no transepto sul e D. In\u00eas no transepto norte, frente a frente. Quando os t\u00famulos, no s\u00e9culo XVIII, foram colocados frente a frente apareceu a lenda que assim estavam para que D. Pedro e D. In\u00eas&#8230;<\/p>\n<blockquote><p>\u00ab<strong><em>possam olhar-se nos olhos quando despertarem no dia do ju\u00edzo final<\/em><\/strong>\u00bb.<\/p><\/blockquote>\n<p>A t\u00e9trica cerim\u00f3nia da coroa\u00e7\u00e3o e do beija m\u00e3o \u00e0 Rainha D. In\u00eas, j\u00e1 morta, que D. Pedro pretensamente teria imposto \u00e0 sua corte e que tornar-se-ia numa das imagens mais v\u00edvidas no imagin\u00e1rio popular, foi inserida nas narrativas do final do s\u00e9culo XVI, depois de Cam\u00f5es escrever em seu Canto III, a trag\u00e9dia da Linda In\u00eas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1421\" src=\"https:\/\/dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ines-e-morta-300x177.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"295\" srcset=\"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ines-e-morta-300x177.jpg 300w, https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ines-e-morta.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">&#8230;&#8230;The End&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/p>\n<blockquote><p><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Os_Lus%C3%ADadas\">Os Lus\u00edadas<\/a> \u00e9 uma obra de poesia \u00e9pica do escritor portugu\u00eas Lu\u00eds Vaz de Cam\u00f5es, considerada a &#8220;epopeia portuguesa por excel\u00eancia&#8221;. Provavelmente conclu\u00edda em 1556, foi publicada pela primeira vez em 1572 no per\u00edodo liter\u00e1rio do classicismo, tr\u00eas anos ap\u00f3s o regresso do autor do Oriente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1420 size-full\" src=\"https:\/\/dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/os-lusiadas-camoes.jpg\" alt=\"\" width=\"375\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/os-lusiadas-camoes.jpg 375w, https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/os-lusiadas-camoes-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 375px) 100vw, 375px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Cam\u00f5es em\u00a0Os Lus\u00edadas, relata assim:<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\">Epis\u00f3dio de Dona In\u00eas de Castro<br \/>\n(Os Lus\u00edadas, Canto III, 118 a 135)<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Passada esta t\u00e3o pr\u00f3spera vit\u00f3ria,<\/em><br \/>\n<em>Tornado Afonso \u00e0 Lusitana Terra,<\/em><br \/>\n<em>A se lograr da paz com tanta gl\u00f3ria<\/em><br \/>\n<em>Quanta soube ganhar na dura guerra,<\/em><br \/>\n<em>O caso triste e dino da mem\u00f3ria,<\/em><br \/>\n<em>Que do sepulcro os homens desenterra,<\/em><br \/>\n<em>Aconteceu da m\u00edsera e mesquinha<\/em><br \/>\n<em>Que despois de ser morta foi Rainha.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Tu, s\u00f3 tu, puro amor, com for\u00e7a crua,<\/em><br \/>\n<em>Que os cora\u00e7\u00f5es humanos tanto obriga,<\/em><br \/>\n<em>Deste causa \u00e0 molesta morte sua,<\/em><br \/>\n<em>Como se fora p\u00e9rfida inimiga.<\/em><br \/>\n<em>Se dizem, fero Amor, que a sede tua<\/em><br \/>\n<em>Nem com l\u00e1grimas tristes se mitiga,<\/em><br \/>\n<em>\u00c9 porque queres, \u00e1spero e tirano,<\/em><br \/>\n<em>Tuas aras banhar em sangue humano.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Estavas, linda In\u00eas, posta em sossego,<\/em><br \/>\n<em>De teus anos colhendo doce fruito,<\/em><br \/>\n<em>Naquele engano da alma, ledo e cego,<\/em><br \/>\n<em>Que a fortuna n\u00e3o deixa durar muito,<\/em><br \/>\n<em>Nos saudosos campos do Mondego,<\/em><br \/>\n<em>De teus fermosos olhos nunca enxuito,<\/em><br \/>\n<em>Aos montes insinando e \u00e0s ervinhas<\/em><br \/>\n<em>O nome que no peito escrito tinhas.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Do teu Pr\u00edncipe ali te respondiam<\/em><br \/>\n<em>As lembran\u00e7as que na alma lhe moravam,<\/em><br \/>\n<em>Que sempre ante seus olhos te traziam,<\/em><br \/>\n<em>Quando dos teus fernosos se apartavam;<\/em><br \/>\n<em>De noite, em doces sonhos que mentiam,<\/em><br \/>\n<em>De dia, em pensamentos que voavam;<\/em><br \/>\n<em>E quanto, enfim, cuidava e quanto via<\/em><br \/>\n<em>Eram tudo mem\u00f3rias de alegria.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>De outras belas senhoras e Princesas<\/em><br \/>\n<em>Os desejados t\u00e1lamos enjeita,<\/em><br \/>\n<em>Que tudo, enfim, tu, puro amor, desprezas,<\/em><br \/>\n<em>Quando um gesto suave te sujeita.<\/em><br \/>\n<em>Vendo estas namoradas estranhezas,<\/em><br \/>\n<em>O velho pai sesudo, que respeita<\/em><br \/>\n<em>O murmurar do povo e a fantasia<\/em><br \/>\n<em>Do filho, que casar-se n\u00e3o queria,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Tirar In\u00eas ao mundo determina,<\/em><br \/>\n<em>Por lhe tirar o filho que tem preso,<\/em><br \/>\n<em>Crendo co sangue s\u00f3 da morte ladina<\/em><br \/>\n<em>Matar do firme amor o fogo aceso.<\/em><br \/>\n<em>Que furor consentiu que a espada fina,<\/em><br \/>\n<em>Que p\u00f4de sustentar o grande peso<\/em><br \/>\n<em>Do furor Mauro, fosse alevantada<\/em><br \/>\n<em>Contra h\u00fba fraca dama delicada?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Traziam-na os horr\u00edficos algozes<\/em><br \/>\n<em>Ante o Rei, j\u00e1 movido a piedade;<\/em><br \/>\n<em>Mas o povo, com falsas e ferozes<\/em><br \/>\n<em>Raz\u00f5es, \u00e0 morte crua o persuade.<\/em><br \/>\n<em>Ela, com tristes e piedosas vozes,<\/em><br \/>\n<em>Sa\u00eddas s\u00f3 da m\u00e1goa e saudade<\/em><br \/>\n<em>Do seu Pr\u00edncipe e filhos, que deixava,<\/em><br \/>\n<em>Que mais que a pr\u00f3pria morte a magoava,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Pera o c\u00e9u cristalino alevantando,<\/em><br \/>\n<em>Com l\u00e1grimas, os olhos piedosos<\/em><br \/>\n<em>(Os olhos, porque as m\u00e3os lhe estava atando<\/em><br \/>\n<em>Um dos duros ministros rigorosos);<\/em><br \/>\n<em>E despois, nos mininos atentando,<\/em><br \/>\n<em>Que t\u00e3o queridos tinha e t\u00e3o mimosos,<\/em><br \/>\n<em>Cuja orfindade como m\u00e3e temia,<\/em><br \/>\n<em>Pera o av\u00f4 cruel assi dizia:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>(Se j\u00e1 nas brutas feras, cuja mente<\/em><br \/>\n<em>Natura fez cruel de nascimento,<\/em><br \/>\n<em>E nas aves agrestes, que somente<\/em><br \/>\n<em>Nas rapinas a\u00e9reas tem o intento,<\/em><br \/>\n<em>Com pequenas crian\u00e7as viu a gente<\/em><br \/>\n<em>Terem t\u00e3o piedoso sentimento<\/em><br \/>\n<em>Como co a m\u00e3e de Nino j\u00e1 mostraram,<\/em><br \/>\n<em>E cos irm\u00e3os que Roma edificaram:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u00f3 tu, que tens de humano o gesto e o peito<\/em><br \/>\n<em>(Se de humano \u00e9 matar h\u00fba donzela,<\/em><br \/>\n<em>Fraca e sem for\u00e7a, s\u00f3 por ter sujeito<\/em><br \/>\n<em>O cora\u00e7\u00e3o a quem soube venc\u00ea-la),<\/em><br \/>\n<em>A estas criancinhas tem respeito,<\/em><br \/>\n<em>Pois o n\u00e3o tens \u00e0 morte escura dela;<\/em><br \/>\n<em>Mova-te a piedade sua e minha,<\/em><br \/>\n<em>Pois te n\u00e3o move a culpa que n\u00e3o tinha.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>E se, vencendo a Maura resist\u00eancia,<\/em><br \/>\n<em>A morte sabes dar com fogo e ferro,<\/em><br \/>\n<em>Sabe tamb\u00e9m dar vida, com clem\u00eancia,<\/em><br \/>\n<em>A quem peja perd\u00ea-la n\u00e3o fez erro.<\/em><br \/>\n<em>Mas, se to assi merece esta inoc\u00eancia,<\/em><br \/>\n<em>P\u00f5e-me em perp\u00e9tuo e m\u00edsero desterro,<\/em><br \/>\n<em>Na C\u00edtia fria ou l\u00e1 na L\u00edbia ardente,<\/em><br \/>\n<em>Onde em l\u00e1grimas viva eternamente.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>P\u00f5e-me onde se use toda a feridade,<\/em><br \/>\n<em>Entre le\u00f5es e tigres, e verei<\/em><br \/>\n<em>Se neles achar posso a piedade<\/em><br \/>\n<em>Que entre peitos humanos n\u00e3o achei.<\/em><br \/>\n<em>Ali, co amor intr\u00ednseco e vontade<\/em><br \/>\n<em>Naquele por quem mouro, criarei<\/em><br \/>\n<em>Estas rel\u00edquias suas que aqui viste,<\/em><br \/>\n<em>Que refrig\u00e9rio sejam da m\u00e3e triste.)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Queria perdoar-lhe o Rei benino,<\/em><br \/>\n<em>Movido das palavras que o magoam;<\/em><br \/>\n<em>Mas o pertinaz povo e seu destino<\/em><br \/>\n<em>(Que desta sorte o quis) lhe n\u00e3o perdoam.<\/em><br \/>\n<em>Arrancam das espadas de a\u00e7o fino<\/em><br \/>\n<em>Os que por bom tal feito ali apregoam.<\/em><br \/>\n<em>Contra h\u00fba dama, \u00f3 peitos carniceiros,<\/em><br \/>\n<em>Feros vos amostrais e cavaleiros?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Qual contra a linda mo\u00e7a Polycena,<\/em><br \/>\n<em>Consola\u00e7\u00e3o extrema da m\u00e3e velha,<\/em><br \/>\n<em>Porque a sombra de Aquiles a condena,<\/em><br \/>\n<em>Co ferro o duro Pirro se aparelha;<\/em><br \/>\n<em>Mas ela, os olhos, com que o ar serena<\/em><br \/>\n<em>(Bem como paciente e mansa ovelha),<\/em><br \/>\n<em>Na m\u00edsera m\u00e3e postos, que endoudece,<\/em><br \/>\n<em>Ao duro sacrif\u00edcio se oferece:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Tais contra In\u00eas os brutos matadores,<\/em><br \/>\n<em>No colo de alabastro, que sustinha<\/em><br \/>\n<em>As obras com que Amor matou de amores<\/em><br \/>\n<em>Aquele que despois a fez Rainha,<\/em><br \/>\n<em>As espadas banhando e as brancas flores,<\/em><br \/>\n<em>Que ela dos olhos seus regadas tinha,<\/em><br \/>\n<em>Se encarni\u00e7avam, fervidos e irosos,<\/em><br \/>\n<em>No futuro castigo n\u00e3o cuidosos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Bem puderas, \u00f3 Sol, da vista destes,<\/em><br \/>\n<em>Teus raios apartar aquele dia,<\/em><br \/>\n<em>Como da seva mesa de Tiestes,<\/em><br \/>\n<em>Quando os filhos por m\u00e3o de Atreu comia !<\/em><br \/>\n<em>V\u00f3s, \u00f3 c\u00f4ncavos vales, que pudestes<\/em><br \/>\n<em>A voz extrema ouvir da boca fria,<\/em><br \/>\n<em>O nome do seu Pedro, que lhe ouvistes,<\/em><br \/>\n<em>Por muito grande espa\u00e7o repetistes.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Assi como a bonina, que cortada<\/em><br \/>\n<em>Antes do tempo foi, c\u00e2ndida e bela,<\/em><br \/>\n<em>Sendo das m\u00e3os lacivas maltratada<\/em><br \/>\n<em>Da minina que a trouxe na capela,<\/em><br \/>\n<em>O cheiro traz perdido e a cor murchada:<\/em><br \/>\n<em>Tal est\u00e1, morta, a p\u00e1lida donzela,<\/em><br \/>\n<em>Secas do rosto as rosas e perdida<\/em><br \/>\n<em>A branca e viva cor, co a doce vida.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>As filhas do Mondego a morte escura<\/em><br \/>\n<em>Longo tempo chorando memoraram,<\/em><br \/>\n<em>E, por mem\u00f3ria eterna, em fonte pura<\/em><br \/>\n<em>As l\u00e1grimas choradas transformaram.<\/em><br \/>\n<em>O nome lhe puseram, que inda dura,<\/em><br \/>\n<em>Dos amores de In\u00eas, que ali passaram.<\/em><br \/>\n<em>Vede que fresca fonte rega as flores,<\/em><br \/>\n<em>Que l\u00e1grimas s\u00e3o a \u00e1gua e o nome Amores.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[instagram-feed][\/vc_column_text][mk_button size=&#8221;xx-large&#8221; icon=&#8221;mk-icon-arrow-right&#8221; icon_anim=&#8221;vertical&#8221; url=&#8221;https:\/\/dnacidadania.com.br\/antigo\/quero-minha-cidadania-portuguesa\/&#8221; nofollow=&#8221;true&#8221; align=&#8221;center&#8221; fullwidth=&#8221;true&#8221;]Quero Minha Cidadania Portuguesa[\/mk_button][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1561661897376{margin-bottom: 0px !important;}&#8221;] In\u00eas de Castro &#8211; a hist\u00f3ria de Romeu e Julieta de Portugal. Quem foi IN\u00caS DE CASTRO? Bom, acredito que j\u00e1 tenha ouvido falar nesse termo na sua fam\u00edlia no Brasil: IN\u00caS \u00c9 MORTA! Sim, a maioria dos brasileiros j\u00e1 ouviram e nunca se perguntou o porqu\u00ea In\u00eas, e n\u00e3o Maria, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1432,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,119],"tags":[120],"class_list":["post-1411","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-historia-de-portugal","tag-ines-de-castro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1411","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1411"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1411\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1437,"href":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1411\/revisions\/1437"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1432"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1411"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1411"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dnacidadania.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1411"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}